9 de outubro de 2012

Facebook Vai Cobrar Por Postagens


Num movimento inesperado, o Facebook iniciou um experimento que vai trazer uma mudança radical em sua política de gratuidade. O Financial Times informou (3/10) que a megarrede de 1 bilhão de usuários “está testando um produto nos Estados Unidos que permite que usuários comuns paguem para promover suas próprias atualizações de status”.


Zuckerberg e sua companhia precisam de mais renda do site, mas alguns analistas temem que a iniciativa possa afetar a relação de afeto que os usuários têm com a rede, “com gente a pagar para fazer o marketing de suas próprias vidas sociais”. A observação parece um pouco ingênua: o Facebook é um site onde as pessoas promovem a si mesmas. Lá, muitos fazem de graça a propaganda de suas vidas, suas conquistas pessoais e profissionais, seu grau de escolaridade e gostos pessoais em diversas áreas e atividades. O Facebook sempre foi um site de marketing pessoal. Uma passarela de vaidades, para muitos. A única diferença é que agora alguns dispostos a pagar poderão aumentar a notoriedade de suas vidas e egos com dinheiro.

A crítica Rebecca Lieb não gostou da novidade: “Isso é transformar consumidores em anunciantes”, denunciou. Rebecca acredita que este é mais um meio do Facebook arrancar mais dados dos usuários. “Qualquer um que pague para promover um post vai fornecer seu número de cartão de crédito”, protestou a analista. A rede de Zuckerberg não aceita pagamentos na moeda própria do site. Se dinheiro vivo milagrosamente pudesse circular na web, o Facebook certamente daria preferência a ele. E cinicamente iria declarar que só fez a opção para proteger a privacidade dos usuários.

Arrogância de menino mimado

A ideia foi primeiro testada na Nova Zelândia (país que o Facebook usa como laboratório para suas inovações) e depois passou para vinte outros países. Os preços variam entre US$ 1 e US$ 12 (cerca de R$ 24). O produto já está à venda nos Estados Unidos (o maior gerador de renda do site). Custa US$ 7 para cada usuário com menos de 5 mil “amigos” no Facebook. Até o momento, as atualizações das postagens são organizadas de acordo com o sucesso delas na rede: aquelas que recebem mais reconhecimento e comentários são colocadas em primeiro lugar. É um sistema de méritos que vai acabar, com as postagens pagas sendo apresentadas em primeiro lugar. O Facebook garante maior visibilidade e destaque customizado para as postagens pagas.

A invenção gerou protestos e criaram grupos de oposição a acusando o Facebook de tentar arrancar dinheiro de seus usuários para aliviar a pressão dos investidores decepcionados com o pífio resultado do lançamento público das ações da rede social. Os protestos cabem e são justos, mas não só pela queda do preço das ações. O Facebook fracassou com a Spartan, sua plataforma para telefonia móvel, e precisa compensar o prejuízo rapidamente. Perdeu lugar para o Google, que comprou a Motorola Mobility e desenvolveu o Android, e para a Apple, a veterana do ramo e que também controla hardware e software próprios (iPhone e iOS). Tentando obstinadamente uma autossuficiência arrogante de menino mimado, Zuckerberg só levou prejuízo. A telefonia móvel no momento é o sonho dourado das principais plataformas digitais da web e o Facebook ficou para trás da concorrência. Por isso agora anda de olho no bolso dos usuários.


Mais cedo ou mais tarde, a coisa deve chegar ao no Brasil. E você, caro leitor? Está disposto a ajudar um multimilionário num momento “difícil”?


Originalmente publicado no site Observatório da Imprensa

Autor: Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor.

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